domingo, 25 de novembro de 2007

diálogos.neuróticos#1

APROVEITANDO O momento nojento que estamos vivendo, minha irmã acaba de soltar uma ótima:


- Narah, cocô é uma palavra muito feia. Por que não o chamamos de flor?

- Ah, então vamos cagar flores?

- Não, cagar também é muito feio. E cagar é um derivado de cocô. Então, vamos florecar flores.

- hahahahahahahaha

- Do que você tá rindo? O pai já faz isso.

- Que?!

- Oras, você nunca sentiu o perfuminho de flor que fica quando ele sai do banheiro!?

- 0.0'

É, esses produtos com perfume para disfarçar odores fazem mesmo mal para cabeça de adolescentes.

[por narah_conti]

video.neurótico

SE VOCÊ achou que o último post era muita neurose para o seu cérebro, assista a esse didático video infantil sobre um dos assuntos tratados. Você vai começar a ver o que sai de dentro de si com outros olhos...


a.neurose.dos.exames

por narah_conti

JUNTO COM as promessas de fim de ano vem a hora do check up médico. Depois de tantos respira, solta, abre a boca, mostra língua, batidinhas no joelho e aperta aqui, dói ali; o medico sempre pede uma série de exames.

Se já não bastasse o eletrocardiograma que você se sente o Robocop correndo na esteira, o constrangedor Papanicolau e o, não tão ruim mas aflitivo, exame de sangue; tem sempre os exames de urina e o de fezes.

Ok. Eles não são tão incômodos quanto os citados acima. Não doem, mas causam constrangimento. Ou vai me dizer que você adora fazer cocô na ‘latinha’?

Gente, o que são esses coletores? Quando vi minha mãe chegando com os ditos-cujos para os tais exames, senti as minhas bochechas ficarem rubras na frente do meu pai e da minha irmã. Como mãe a-do-ra nos pôr em situações constrangedoras, diga-se de passagem. Ela chegou toda feliz como se exibisse um pirulito para uma criança. Claro! Isso fez todos rirem, exceto a vítima: eu!

Os potinhos de plásticos me encararam o fim de semana todo. E minha mãe sempre ressaltava: “Narah, não se esqueça de que, domingo, você tem que fazer cocô no potinho e, segunda de manhã, tem que fazer xixi também!” E domingo foi pior. Eu não podia me dirigir para qualquer lugar próximo ao banheiro que a sirene tocava e minha mãe berrava: “Narah, se for o número dois: NO POTINHO, NO POTINHO!”

Acho que essa pressão materna me bloqueava, pois passei a manhã e a tarde sem conseguir liberar qualquer coisa mais sólida. E olha que a minha mãe fez até ovos no almoço. Mas lá pelas oito horas da noite, o requisitado deu sinal de que estava para sair. Minha mãe exclamou: “Se você acha que não para acertar a mira no pote, faz no papel e coloca no coletor depois!”

Não preciso dizer que o optei pela segunda opção. Oras, você acha que além de todo o trabalho de liberar o cocô, eu ainda ia ter a pachorra de brincar de tira-ao-alvo com ele? E se caísse na privada? Eu que não colocaria a minha mãozinha, lá, para tirar.

Depois de toda essa operação de guerra, eu fiquei pensado: se eu morri de nojo de colocar o treco que sai de dentro de mim, ou seja, praticamente um filho, no potinho; imagina, quem tem que analisar o tal exame e ficar lá mexendo o cocô alheio (!). Eita, profissão ingrata essa de analista fecal. Isso que é, literalmente, um emprego de merda!

sábado, 24 de novembro de 2007

manias.neuróticas#4

Lavo as mãos exageradamente. Acho sempre que nunca estão limpas o bastante, seja qual for a ocasião. Antes pensava que isso se tratava de uma simples mania, mas por via das dúvidas fui me informar na internet e em livros depois que uma amiga me avisou que eu podia ter o chamado TOC. Depois de tanto ler, me senti uma alienígena ao pensar que talvez sofra de um transtorno obsessivo compulsivo. E acabei ficando mais confusa ainda.
Como não sabia se marcava uma consulta com um psiquiatra ou chamava um exorcista, resolvi que era melhor deixar para lá e esquecer essa neurose. Mas antes disso fui lavar bem as mãos! [por norah_cavalcanti]

a.neurose.do.cabelo


por norah_cavalcanti


Cabelo!!

Existe coisa mais neurótica do que isso?

Até que seja provado o contrário, continuo achando que não!

Pois bem. Estava eu pensando em que roupa usar para ir a um casamento de uma amiga quando lembrei que teria também de agendar um dia para me submeter à maratona cabeleireiro-manicure-pedicure-maquiagem-e-afins. Resolvi marcar logo num salão indicado por uma outra amiga para não esquecer. Seria no dia seguinte. Mal sabia eu o que me aguardava!

Desde muito nova sempre cuidei do meu cabelo, que dá um trabalho razoavelmente aceitável. Se quero liso, eu escovo, se quero enrolado, coloco produtos e faço uns rolinhos. Se quero ondulado, deixo normal. Apesar de encher um pouco, e nunca ficar perfeito - porque mulher sempre vai arrumar um motivo para reclamar do cabelo!-, eu sempre consegui cuidar dele direitinho. Só que, como o sábado ia ser mais especial por se tratar do momento de alguém muito querida, resolvi passar um dia de dondoca no salão. E, para falar a verdade, às vezes é bom se sentir uma dondoca!

Enfim...foi que foi e o tal dia chegou. Como logo de início a manicure já foi deixando lindas minhas unhas que estavam compridas e toscas como as do Zé do Caixão, tudo parecia que ia de vento em popa. Na hora fiquei muito feliz, o problema é que felicidade de neurótica dura pouco. Ou tempo o bastante para que encontremos outra neurose!

Chegou a vez de lavar as madeixas. Ahhhhhh, nada como uma águinha morna escorrendo pelo couro cabeludo. Você se sente livre, limpa e relaxada. Sensação nem um pouco parecida com a do estresse que minutos depois eu passaria.

Tudo teve início após a lavagem, quando a cabeleireira avisou que iria passar um "produtinho" muito bom que tira o volume e dá forma ao cabelo. Topei na hora, pois se ela era a profissional devia saber o que estava fazendo. E não que ela começou a secar os meus cabelos e eles foram mesmo adquirindo forma?

Eu só não pensava que o "formato" que a infeliz tinha dito se referia ao formato de cogumelo, ou de abajur, ou - em meio ao ápice de uma crise neurótica -, de Beiçola da Grande Família. Admito que fiquei simplesmente o máximo, o máximo do ridículo!!

É justamente nesses momentos que eu gostaria de ser uma pessoa mal-educada, daquelas que não tem vergonha de nada, pois poderia ter mandado que ela secasse o cabelo da avó dela daquele jeito. Ou até um certo local em que não bate sol.

Como o manual da boa moça me impediu, pedi a ela que passasse uma chapinha para ver se baixava aquela desgraça que mais parecia um quiosque. E ela foi passar. E passou bem. Bem até demais, tanto que os fios ficaram grudentos graças ao maravilhoso produto que ela colocou nos meus cabelos antes. Meu Deus do céu...agora estava parecendo o Smeagol com aquele cabelo seboso. Isso até me lembrou um certo colega de faculdade...

Desesperada com aquela palhaçada, decidi pedir para que a besta humana fizesse então um penteado, sei lá, alguma coisa que não ficasse parecendo que eu tinha derrubado óleo de frigideira na cabeça. E não é que ela teve uma idéia genial?

A múmia fez um coque tosco que me deu um ar de Audrey Hepburn do subúrbio. Ou ainda, do cais. Para piorar ela ainda "puxou" uns fiozinhos para dar uma "leveza". Ohhhh, coisinha ridícula que eu fiquei com aqueles dois "pega-rapaz" na testa.

Confesso que apesar dos pesares foi uma aventura e tanto. Meu nível de irritação chegou ao supra-sumo, foi praticamente um teste de saúde física e mental que me fez ter certeza de uma coisa: odeiooooo que mexam no meu cabelo! Principalmente quem eu não conheço direito.

E não é que para concluir ainda tive de pagar por aquela porcaria. Mas no fim das contas, que não foram baixas, eu cheguei em casa, lavei o cabelo e dei uma arrumada básica nele, do meu jeito.

Acabei indo para o casamento e muita gente veio me perguntar o que tinha feito nele que estava tão bonito. Por pouco não respondi: "Ah, nada de mais. Apenas me inspirei no talento de uma cabeleireira que deixei viva por piedade. Afinal, ela ainda tem de sofrer um pouco com o próprio cabelo!". =]

manias.neuróticas#3

Sempre reparei em cores. Mania de cores, de coisas coloridas. Só que uma dúvida crucial sempre mexeu com meu eu interior colorizado por computador. Existe um tom de azul muito específico que parece se destacar em meio aos muitos outros tipos de azul. O azul-claro, o azul-escuro, o azul-turquesa, o azul-royal e até o azul-celeste são tons muito interessantes, mas talvez nunca cheguem aos pés desse azul tão peculiar. Uma mesma cor que aparece apenas em dois lugares e é conhecida pelas alcunhas de azul-calcinha e azul-fusquinha!
Pode até soar banal, mas é uma tese fascinante. Uma coisa quase surreal! Afinal, se prestarmos atenção veremos que realmente o tom de azul usado em calcinhas é exatamente o mesmo que é pintado nas latarias dos charmosos, e antigos, fusquinhas. Na verdade, essa minha mania serve apenas para enriquecimento da cultura inútil, porém não pretendo abandonar minha análise ainda. Continuarei em busca de uma explicação científica para tal fenômeno. Quem sabe uma luz azul não me ajude! [por norah_cavalcanti]

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

manias.neuróticas#2

PINTEI MINHAS unhas ontem. Adivinhem? Já comi o esmalte todo! Tá aquele horror. Essa mania de roer unhas é uma meleca. Eu começo a achar que é genético. Minha mãe rói unhas, meu tio, rói unhas, os filhos dele roem unhas... Todos do lado materno roem unhas! E olha que já tentei de tudo. Nem a pimenta resolveu esse caso. É, acho que vou optar pelas unhas postiças. [por narah_conti]

terça-feira, 20 de novembro de 2007

a.neurose.da.ponte.orca

por narah_conti
A MELHOR maneira de ir de Pinheiros às mediações da Av. Paulista é a Ponte ORCA (Organização dos Condutores Autônomos). Esse serviço é uma ligação entre estação de trem e metrô. Há duas linhas: Cidade Universitária – Metrô Vila Madalena e Vila Madalena – Barra Funda, que são feitas por vans que transportam passageiros para essas estações.

Mas quando mais precisamos: ela falha.

Sai do trabalho e como não tinha aula na faculdade, pensei: CINEMA!!! Pego o trem e desço na estação Cidade Universitária, passo a catraca, atravesso a ponte, desço a escada e lá um aviso: Hoje, devido ao feriado municipal, não haverá a integração via Ponte ORCA para o Metrô Vila Madalena.

Raios!!!

Geralmente, eles avisam nas próprias estações que a Ponte ORCA está desativada. Mas, a Lei de Murphy nunca falha. Porém se os problemas desse serviço fossem só isso estava bom. A Ponte ORCA é própria encarnação da neurose do transporte coletivo.

Assim que o trem abre a porta na estação Cidade Universitária, é como o estouro da boiada. As pessoas saem desesperadas, sobem correndo as escadas pulando degraus e entram em desespero quando ficam na fila da senha. Assim que a conseguem, disparam uma corrida na ponte para ver quem chega primeiro na fila para o embarque que, geralmente, começa antes da escada. E se for 18h, relaxe! Você vai pegar a bendita fila dando a segunda volta e vai esperar, pelo menos, uma hora para chegar a sua vez de embarcar na vanzinha. Isso se a van não lotar bem na sua vez, e você acabar tendo que esperar a próxima.

Certa vez, pude observar o ápice da neurose numa pessoa. Uma mulher de corpo circular, calça agarrada, cabelo oxigenado e adapto a chapinha, me empurrou e disparou para conseguir a senha. Coitada, pegou a fila maior e eu peguei a senha antes dela (hahahahaha). Não satisfeita, ela disparou novamente na ponte, esbarrou em mim e consegui duas posições a minha frente. Ela ria de felicidade. E eu pensava: como tem gente que é feliz com pouco.

Na fila, uma moça sempre organiza quem vai subir em cada van, ou seja, se você irá na que está estacionada, ou se terá que esperar a próxima. Nesse dia, chegaram duas vans juntas, e a tal mulher seria a última da primeira que chegou. Mas como alegria de pobre dura pouco... A moça da fila contou errado, e na vez dela o carro já estava lotado e a que tinha chegado depois também. Sorri, por último e melhor, dentro do transporte enquanto olhava a tal mulher bufar de raiva por ter que esperar a próxima.

Tudo bem! Um dia a hora dela chega, a linha amarela do metrô fica pronta e ir de Pinheiros à Av. Paulista será fácil. Enquanto isso, a gente passa a peneco&co nossa de cada dia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

a.neurose.do.banheiro

por narah_conti

TODOS NÓS temos um lugar em que somos reis, ou rainhas. E não é à toa que este lugar tem até um trono: o banheiro.

O banheiro é o território livre. Ali tudo pode. Se você tem talento para música, pode testar na sua excelente acústica. Ou vai me dizer que você nunca cantou Lê Figarô enquanto ensaboava a cabeça? Ou aquela musiquinha brega de rádio FM? E ainda, para o seu showzinho, usou o chuveirinho, ou o escovão, como microfone e pensou que as gotas caindo no chão fossem palmas.

Ok. Você é do tipo contido, não curte dar shows. Mas aposto que enquanto faz a barba ou se maquia, você deve bater altos papos com aquele ser charmoso do outro lado do espelho, e de muito bom gosto, por sinal; que sempre antes de você sair diz: “Você está linda (o) hoje!”

Ah! Se o banheiro falasse... Quantas lágrimas ele não entregaria. Eu mesma já cansei de ver gente correr para o banheiro depois de uma bronca do chefe. E as fofocas? Quantos homens bonitos ele não deixaria convencido, e quantas mulheres revoltadas não ficariam. É, porque em banheiro feminino dois assuntos predominam: a roupa da outra e o bonitão do andar. Ah! Intriguinhas de casais também estão entre os assuntos preferidos.

E o dos homens? Aposto que muitos ficariam envergonhados. Ou vocês, machos, acham que nós mulheres não sabemos que, na hora do xixi, vocês ficam comparando o de quem é maior? E aposto que as gostosas também devem ser comentadas, como as mocréias devem ser ridicularizadas.

No banheiro vemos coisas surpreendentes. A outra neurótica que também escreve neste blog, certa vez, me contou que encontrou uma de nossas professoras da faculdade aparando os bigodes no banheiro feminino. Realmente, deixamos todos os pudores do lado de fora.

Eu mesma tenho cenas ótimas de banheiro. Aquele metro quadrado é um lugar de paz, ali é só é você e você. Certa vez, os dois metros quadrados do privativo lá de casa foram o único lugar em que encontrei para estudar em paz para uma prova de política.

E o seu banheiro? Se ele pudesse contar algo, o que ele contaria? Aquela ressaca que só ele te acudiu recebendo todos os seus vômitos. Aquela dor de barriga que só ele e você para agüentar. Aquele vez que você tentou tingir o cabelo sozinha. Aquele banho a dois... bem, não comentemos detalhes tão íntimos. É, o banheiro é nosso cúmplice. Muitas coisas que aconteceram ali, ali ficaram seladas pela palavra ocupado. Ah, se os banheiros falassem...

Mande uma história de banheiro para gente. Ok, não precisa contar aquela, mas pode contar uma que tudo bem sair pela frestinha da porta.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

manias.neuróticas#1

Hoje, acordei cedo e meu cachorro veio lamber meu pé. Odeio isso, faz cócegas. Por que cachorros gostam de lamber o pé da gente? Será que o cheiro de chulé lembra mesmo gorgonzola? Que engraçado, pensei que só rato gostasse de queijo! [por narah_conti]