por narah_conti
JUNTO COM as promessas de fim de ano vem a hora do check up médico. Depois de tantos respira, solta, abre a boca, mostra língua, batidinhas no joelho e aperta aqui, dói ali; o medico sempre pede uma série de exames.
Se já não bastasse o eletrocardiograma que você se sente o Robocop correndo na esteira, o constrangedor Papanicolau e o, não tão ruim mas aflitivo, exame de sangue; tem sempre os exames de urina e o de fezes.
Ok. Eles não são tão incômodos quanto os citados acima. Não doem, mas causam constrangimento. Ou vai me dizer que você adora fazer cocô na ‘latinha’?
Gente, o que são esses coletores? Quando vi minha mãe chegando com os ditos-cujos para os tais exames, senti as minhas bochechas ficarem rubras na frente do meu pai e da minha irmã. Como mãe a-do-ra nos pôr em situações constrangedoras, diga-se de passagem. Ela chegou toda feliz como se exibisse um pirulito para uma criança. Claro! Isso fez todos rirem, exceto a vítima: eu!
Os potinhos de plásticos me encararam o fim de semana todo. E minha mãe sempre ressaltava: “Narah, não se esqueça de que, domingo, você tem que fazer cocô no potinho e, segunda de manhã, tem que fazer xixi também!” E domingo foi pior. Eu não podia me dirigir para qualquer lugar próximo ao banheiro que a sirene tocava e minha mãe berrava: “Narah, se for o número dois: NO POTINHO, NO POTINHO!”
Acho que essa pressão materna me bloqueava, pois passei a manhã e a tarde sem conseguir liberar qualquer coisa mais sólida. E olha que a minha mãe fez até ovos no almoço. Mas lá pelas oito horas da noite, o requisitado deu sinal de que estava para sair. Minha mãe exclamou: “Se você acha que não para acertar a mira no pote, faz no papel e coloca no coletor depois!”
Não preciso dizer que o optei pela segunda opção. Oras, você acha que além de todo o trabalho de liberar o cocô, eu ainda ia ter a pachorra de brincar de tira-ao-alvo com ele? E se caísse na privada? Eu que não colocaria a minha mãozinha, lá, para tirar.
Depois de toda essa operação de guerra, eu fiquei pensado: se eu morri de nojo de colocar o treco que sai de dentro de mim, ou seja, praticamente um filho, no potinho; imagina, quem tem que analisar o tal exame e ficar lá mexendo o cocô alheio (!). Eita, profissão ingrata essa de analista fecal. Isso que é, literalmente, um emprego de merda!

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