As férias acabaram. Sua chance de sair da rotina também.
E me pergunto: por que será que todo final de férias você sente como se não tivesse feito nada que valesse realmente a pena?
Todas aquelas horas que você prometeu que passaria na companhia dos velhos amigos...todos aqueles lugares que você afirmou que visitaria e que iria para se divertir...todos aqueles conhecimentos que você declarou que iria adquirir, já que teria tempo o bastante para ler quase a Biblioteca Nacional inteira ou assistir todos os filmes já produzidos...
E de repente, você nota. O tempo passou, e rápido! Tão rápido que todas aquelas promessas, entre muitas outras, ficaram a ver navios. Talvez previstas para as próximas férias. Ou simplesmente esquecidas.
Será que toda pessoa de férias é neurótica? Ou será que as férias é que deixam a pessoa neurótica?
Pensemos direito.
Toda pessoa quando entra de férias - mas que continua trabalhando -, já imagina que com um pouco mais de tempo livre, ela vai conseguir fazer tudo o que quiser. Diversão e empolgação devem atingir o auge, assim ela pensa! E é quando esse humanóide feliz começa a fazer um pequeno planejamento, de umas 25 folhas frente e verso – coisa bem simples!, de como iria aproveitar praticamente cada minuto de seus 30 dias de férias. Pois bem, aqui vai ele rumo à alegria das férias - pelo menos é o que o pobre coitado pensa!
Quando o último dia de aulas acaba e a contagem regressiva dos dias de férias começa, a loucura inicia o seu processo de alteração mental e a pessoa já fica desesperada. Quase em estado de sofreguidão, a criatura pensa que não pode perder nem um instante, pois estaria desperdiçando seus ricos momentos de férias.
Quando o último dia de aulas acaba e a contagem regressiva dos dias de férias começa, a loucura inicia o seu processo de alteração mental e a pessoa já fica desesperada. Quase em estado de sofreguidão, a criatura pensa que não pode perder nem um instante, pois estaria desperdiçando seus ricos momentos de férias.
“Enquanto assisto meus seriados favoritos, limpo o quarto e faço as unhas, já aproveito para ligar para os meus amigos marcando alguma coisa”, assim pensa o ser “on vacation”. Impacientemente, a pessoa começa a procurar o que fazer. Durante uma semana, ela gasta todo o seu tempo livre na internet procurando lugares para ir e se divertir. “Ah, esse não!”. “Credo, isso de jeito nenhum!”. “Nossa, isso aqui ninguém vai querer!”. Depois da busca incessante, começam os convites. “E aí, fulano. Tudo bem? O que vc acha de irmos pra tal lugar?”. “Oie, moça. Quanto tempo. Vamos nos rever?”. E assim vai desenterrando companhias, num ideal de reencontrar os amigos enquanto se diverte. Mata dois coelhos numa cajadada só. O mais interessante é que o indivíduo não pensa que muita gente viaja, outros querem apenas dormir nesses dias, enquanto o restante não tá nem um pouco a fim de sair. “Putz, que saco! O que eu vou fazer? Tempo livro não é pra ficar em casa”. E a neurose então chega ao segundo estágio. Mais forte do que nunca!
Com um pensamento beirando a paranóia da diversão obrigatória, o cidadão sai em uma caçada Indiana Jonesca (desculpem, mas realmente não pensei em um outro caçador no momento!! =] ) e durante os outros 20 dias de férias fica tentando convencer os outros a sair e fazer alguma coisa. Como não consegue, ele fica mal-humorado, não dorme direito pra passar mais tempo sem fazer nada, reclama com a mãe e ainda acha que tem razão.
Assim os dias seguem até que a neurose chega no estágio final.
Como a pessoa não arranjou nada concreto, e está num nível de estresse digno dos dias de trabalho e estudo, ela finalmente pendura as chuteiras (ou os resmungos!) e começa a pensar em desistir, já que esse será o último final de semana do mês de férias. Mas não é que justo nesse sábado vai rolar alguma coisa!
Plim!! Assim pisca uma luzinha em sua cabeça!
“Ah, hoje a coisa vai valer a pena pelos 30 dias...ou eu não me chamo (!!)”. Com esse pensamento, a criatura se arruma toda, gasta uma nota com roupa e sapato e consegue enfim sair de verdade com alguns amigos. Tudo parece ir muito bem, a não ser por alguns detalhezinhos...coisa bem pequena, na verdade!
No caminho para encontrar os amigos, a pessoa pega um trânsito terrível, depois enfrenta uma fila desgraçada no restaurante, conhece um povo muito sem graça na balada, é atendida por um cara insuportavelmente grosseiro no posto de gasolina, é abordada por uns bêbados bobos e tarados na lanchonete e ainda por cima arranja uma briga básica com o cara do estacionamento. Mas, no fim das contas, depois de uma noite cheia de acontecimentos inesperados ela volta feliz e contente pra casa. Poxa, afinal ela saiu, não é?!! Vai dizer que ela não se divertiu? Isso é que é vida. Sair e passar raiva não é para qualquer um não. Apenas para quem tem tempo, e está de férias. Claro!
