terça-feira, 29 de maio de 2007

A gafe do telefone

por norah_cavalcanti

Quem nunca cometeu o pequeno delito de "pagar um mico" por telefone, que digite o primeiro Esc !

Todos nós, humanóides sem noção que aceitaram viver - e conviver!, em meio ao cotidiano cíclico dessa colméia gigante que chamamos de sociedade, ou cotidiano em conjunto, ou habitus (assim disse o grande Bourdieu!), ou ainda o que você preferir e que simplesmente remeta à idéia de uma convivência com seres tão providos de neurônios e tão desprovidos de conexões entre eles, pelo menos alguma vez já passou por uma situação embaraçosa diante do maravilhoso invento de Graham Bell. **** Aqui um momento de homenagem emocionada e carinhosa ao mestre Nikola Tesla, que enriqueceu o mundo da ciência com suas incríveis contribuições para a área da comunicação, dentre outras milhares. Um homem singular e inteligentíssimo que aprendi a admirar. Por sinal, quem quiser ler minha matéria sobre esse indivíduo injustiçado favor checar a próxima revista Sexto Sentido (nº 84) que logo estará nas bancas...é...por um minuto fui realmente tomada por um espírito marqueteiro :] ****
Pois bem, continuando a minha reflexão sobre a maldita gafe durante um telefonema, o que tenho a dizer é que lá eu fui testar o já conhecido esquema da comunicação que tem o emissor, o receptor, a mensagem e tal, enquanto agia como uma excelente amiga. Sem mais delongas, eu ligava para um amigo que o pai tinha sido internado no dia anterior e queria saber se ele tinha melhorado, e se meu amigo tbm estava bem com aquela súbita e assustadora situação. Confiando na capacidade tecnológica e nas facilidades que um celular me proporcionaria, no caso do meu - aliás, essa capacidade se encontra em uma escala menor pq o pobre é antiiiiiigo, mas de qualquer modo eu acreditei q apertando o maldito botãozinho do send com o nome da pessoa ele ligaria direto e meus problemas estariam acabados (tipo Tabajara mesmo!!)
E o que me aconteceu por confiar nessa porcaria tecnológica? Eu, uma mocinha movida pelo abalo emocional e que ainda assim consegue pagar um miquinho, percebi que quando liguei para o Fulano (não contarei seu nome para, no mínimo, preservar a minha integridade moral !!) não era exatamente a pessoa com quem eu deveria falar. Assim que ele atendeu eu já saí perguntando: "E aí, ... como vc está? E seu pai? Putz, fiquei master preocupada e tal..." e desatei a falar como sempre desato até que alguma alma boa me mande calar a boca *** definitivamente são anos de prática assistindo Gilmore Girls: Momento de tristeza aqui expressado com o fim dessa série que eu amo! *** até que - então, o garoto me fala assim: "Ow, Srta. N. Eu acho q vc ligou pro fulano errado...não aconteceu nada com o meu pai, não era pra um outro cara com o mesmo nome q eu q vc queria ligar?". Nesse instante odiei com todas as minhas forças a modernidade!!
Sim, sim!! Eu fiz isso! Liguei pra pessoa errada, que tinha o mesmo nome. Fui falando que nem aqueles malucos que não para nem para respirar e quando menos percebi o meu celular, o meu próprio aparelho, que é velho, tá certo, mas que ainda assim tenho enorme carinho, tinha me traído. Traição das mais ferrenhas, tal qual uma facada nas costas, o meu celular fez uma ligação errada. Ele, claro! Eu não...eu apenas fui traída e caí na rede da tecnologia. Que Bad, que trash, que vergonhoso!! Só para constar: além de neurótica, sou dramática =]
Fiquei meeeeeeeega sem graça e desconversei - claro!, falando que tinha trocado mesmo o número da pessoa e dei aqueles risinhos fenomenais de quem tá muito constrangido. Pedi desculpas e comecei um papinho mala sobre o tempo, apenas pra não ficar mais chato do que já estava!
É, meus queridos...após isso quase cavei um buraco e enfiei a cara dentro, principalmente pq logo mais encontraria esse ser na faculdade (o que realmente aconteceu, reunido de mais uns 3 amigos) e a minha sorte é que eles não tiraram sarro, pelo menos não do tamanho da minha própria vergonha.
Eu assumo: a minha pessoa tem uma parte neurótica, a outra parte cara-de-pau, enquanto o restante serve exatamente para cometer essas famosas gafes...que mais tarde a neurótica vai implicar e a cara-de-pau ignorar! = ]

Por isso lembrem-se sempre:
Nunca é demais confirmar quem fala com você ao telefone...o máximo que vão te perguntar é se vc andou bebendo!!

domingo, 27 de maio de 2007

A pequena neurose contemporânea cotidiana de IMPLICAR

por narah_conti

Há certas pessoas que despertam a implicância em nós, seres neuróticos e contemporâneos. E geralmente a justificamos com o seguinte clichê: “meu santo não bate com o de fulano!”
O que acontece, na verdade, é o prazer mórbido que sentimos ao pegar no pé daquele [a] que desperta, em nós, os sentimentos mais obscuros e malignos. Mas há algumas justificativas neuróticas para essas vontades nada bondosas:

Neurose implicante 1: Ciúmes
Quantas vezes já não implicamos com nossa irmã por estar usando aquela nossa blusinha favorita, que nos foi dada por alguém especial? Ou com o outro [a] amigo [a] do nosso melhor amigo [a], que implicamos mesmo sem ter visto a fuça do [a] fulaninho [a]?
Pois é, meu caro. O ciúme por pessoas ou objetos nos faz odiar aqueles que se aproximam da coisa amada. O sentimento de ameaça provoca em nós uma confusão mental tão grande, que não conseguimos fazer mais nada a não ser perseguir e ver os defeitos daquele que parece querer tomar o que é nosso.

Neurose implicante 2: Inveja
Vai me dizer que você nunca invejou aquela mulher magérrima que trabalha contigo e conquista os mais gatos do setor, enquanto você se consola com a barra de chocolate? Ou você, garoto, nunca invejou aquele cara que já conseguiu comprar o primeiro possante e agora está saindo com a mina mais gata da faculdade?
O desejo de possuir o que é de outrem, seja material ou sentimental, faz o invejoso implicar com quem tem o que almeja. Você começa a diminuir todas as conquistas alheias, sempre achando que você faria melhor, você terá algo melhor. Afinal, o problema por ainda não ter conseguido não é você, é o mundo cruel que conspira contra sua pessoa, não é verdade?

Neurose implicante 3: Espelho
Quem nunca implicou com aquele cara que, a seu ver, é o mais mala do mundo, que atire a primeira pedra.
Só o fato de ele estar por perto já é motivo para sentir aquela ojeriza. Você ainda não sabe por que, mas a presença dele te incomoda mais do que um elefante incomodaria alguém em um espaço fechado de 10 m².
Bem, se não for um dos primeiro sintomas do amor, é por que esse mala tem os mesmo defeitos que você. Sim! Enxergar os nossos defeitos, ou aquele nosso lado mais obscuro, em outras pessoas nos faz implicar com elas de maneira descomunal. Essa implicância é porque, na realidade, não queremos ver esse nosso lado, ou seja, temos que afastar e ridicularizar quem nos mostra o que queremos esconder a qualquer custo. Assim, implicando com ele para não aceitar: “Eu também sou um puta mala quando faço isso! – Mas se eu faço... é sem perceber, juro!”.

Neurose implicante 4: O ser raso
Mas também há aquele implica por implicar. Você já deve ter conhecido um ser que implica pelo prazer doentio de não suportar a idéia de ser um Zé Ninguém. Na verdade, esse é o cara que tem todas as justificativas acima tão intrínsecas que não consegue deixar de implicar com alguém nem por um minuto. É provável que você tenha tido um chefe assim, não? E ele, provavelmente, sempre diminuía o seu trabalho, fazendo você conseguir pensar em apenas uma justificativa: “Meu chefe me persegue!”

Conclusão: implique consciente
A implicância é uma pequena neurose contemporânea do mundo competitivo que vivemos. Ninguém está imune. A qualquer momento você pode se tornar um ser implicante. Mas agora, depois desse post, você pode ser um “implicante consciente”: “Estou implicando com essa vagaba, por que ela tem o cabelo que eu sempre quis ter. AHHH!!! Por que eu sou escrava da chapinha e ela não!?”

Caos mental no par de cromossomos XX provocado pelo XY

Texto: narah_conti/Foto: Mariana Rotili

Neurose 1

“Por que coxa se bonita, por que bonita se coxa?” – diz Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Frase que, se parafraseada um pouquinho, cabe muito bem no universo feminino: “Por que perfeito se gay, por que gay se perfeito?”
Quantas vezes você, mulher neurótica contemporânea, olha para aquele que, no seu psicológico, você tem a certeza: “Esse é o meu número!”. Mas quando esse príncipe se aproxima ou você o conhece melhor, constata que adição virou subtração! A realidade é: ambos irão disputar a soma com o mesmo par de cromossomos XY.
Então, a frase se repete como um mantra em sua mente: “Por que perfeito se gay, por que gay se perfeito?”

Neurose 2
Às vezes, o cara é tão “o seu número”, ou seja, a soma perfeita entre seu XX e o XY dele, sem qualquer risco de os idênticos se atraírem, que você começa até a fazer planos e ter a certeza de formariam o “casal perfeito”.
Mas... você chegou atrasada, como sempre! O Mr. Perfect ostenta no dedo anelar aquele bambolê de fazer inveja a qualquer solitário de rubi. E aquele filme que você comentou com ele que gostaria de assistir... lógico, em sua companhia - afinal, ambos gostam do mesmo diretor de cinema -, se transforma em um incrível filme de terror embolorado com o tempo quando ele comenta que em vez de convida-la... “Eu também adoro esse diretor! Irei ver com a minha namorada na próxima sexta.”
Pronto! Isso a leva ao ápice da neurose, e você começa a achar que não sobrou nem um ser XY na face da Terra para somar com o seu XX.

Neurose 3
“Não cobiçarás o homem da próxima [o]!”. Você até quer ser boa cristã, mas não é culpa sua o seu número estar se somando com um outro que, nas suas contas, não dá um bom resultado.
No meio desses pensamentos neuróticos constantes, você levanta até a possibilidade de infringir a moral e os bons costumes. Não ligando em se unir ao número perfeito na folha de rascunho, enquanto não chega a sua vez de ocupar a folha oficial.

Conclusão neurótica! [N1+N2+N3 = Erro no XY]

Os homens, mulheres neuróticas contemporânea, nos levam a muitas pequenas neuroses. E depois dizem que nós somos complicadas, quando, na verdade, são eles que se complicam quando se somam com mulheres erradas! =Z


sábado, 26 de maio de 2007

A mulher moderna no século XXI

por norah_cavalcanti

Tríades
Original: Neurótico Millôr Fernandes
Versão atualizada: Neuróticas contemporâneas

Três coisas irrecuperáveis: gafe cometida, corte de cabelo feio, gay assumido.
Três coisas irresistíveis: viajar sem destino, rir sem razão alguma, gay muito lindo (gde parte, aliás!).
Três coisas maravilhosas e fugidias: dinheiro no bolso, um olhar especial, homem bonito, solteiro, meigo e inteligente não ser gay.
Três coisas invisíveis e inapreensíveis: byte de computador, lapsos de memória, garotos encantadores que fingem não ser gays, e que nós - carentemente, acreditamos!
Três coisas que derrotam os computadores: tomar banho de chuva, se apaixonar, homem perfeito, e gay!
Três coisas quentes e mutáveis: promessas de amor, ondas do mar à noite, bons partidos hetero se tornarem homo.
Três coisas divididas igualmente por todos: sonhos, o nascer do sol, conhecer um gay enrustido.
Três coisas que aumentam com o passar dos anos: a maldita idade, a tecnologia, o número de gays bonitos no mundo.
Três coisas sem fim e sem compensação: procura pela imortalidade, busca pela igualdade, homens interessantes e solteiros adentrando à "irmandade".
Três coisas absolutamente seguras: o brilho das estrelas, um abraço sincero e apertado, se contentar com a atual realidade: a extinção do solteiro não-gay, bonito, divertido e sensato.


** P.S. mais que neurótico: Se alguém encontrar um tipo perfeito e não-gay vagando por aí, avise-nos! Talvez "Men in Trees" não seja somente uma série...e ele, provavelmente, deve estar à procura de um lar.


Abracadabraços neuróticos, como dizia o mestre Millôr! =]

terça-feira, 22 de maio de 2007

Princípio da Neurose

Tudo começou com um plágio, mas a partir do momento que confessamos que é um plágio ele deixa de ser plágio, certo? Afinal, ele é um plágio confesso [isso dá flagrante?!]. E assim, começamos a nossa primeira neurose:
Como nos redimimos de um “bom plágio”?
Marcelo Rubens Paiva publicou recentemente no OESP uma série de crônicas a respeito das pequenas neuroses contemporâneas – penecos. Essas foram cair nas vistas de duas estudantes de jornalismo neuróticas e contemporâneas que decidiram montar esses blog: narah_conti. e Srta. N.
Aqui! Nesse espaço eletrônico onde tudo pode acontecer, relataremos as pequenas neuroses cotidianas que, talvez, todos pensam, porém nunca as relatam ou que nunca pensaram claramente e ao ler o post exclamará: “Putz! É mesmo!” São obviedades e indagações que se aproximam da bizarrice, mas é tudo pura verdade do mundo contemporâneo.

Boas Salenas**, todos neuróticos-psicóticos-beirando-os-psicotrópicos!!! =)

**Cumprimento de seres tão neurótico quanto os humanos, os cronópios!