segunda-feira, 19 de novembro de 2007

a.neurose.do.banheiro

por narah_conti

TODOS NÓS temos um lugar em que somos reis, ou rainhas. E não é à toa que este lugar tem até um trono: o banheiro.

O banheiro é o território livre. Ali tudo pode. Se você tem talento para música, pode testar na sua excelente acústica. Ou vai me dizer que você nunca cantou Lê Figarô enquanto ensaboava a cabeça? Ou aquela musiquinha brega de rádio FM? E ainda, para o seu showzinho, usou o chuveirinho, ou o escovão, como microfone e pensou que as gotas caindo no chão fossem palmas.

Ok. Você é do tipo contido, não curte dar shows. Mas aposto que enquanto faz a barba ou se maquia, você deve bater altos papos com aquele ser charmoso do outro lado do espelho, e de muito bom gosto, por sinal; que sempre antes de você sair diz: “Você está linda (o) hoje!”

Ah! Se o banheiro falasse... Quantas lágrimas ele não entregaria. Eu mesma já cansei de ver gente correr para o banheiro depois de uma bronca do chefe. E as fofocas? Quantos homens bonitos ele não deixaria convencido, e quantas mulheres revoltadas não ficariam. É, porque em banheiro feminino dois assuntos predominam: a roupa da outra e o bonitão do andar. Ah! Intriguinhas de casais também estão entre os assuntos preferidos.

E o dos homens? Aposto que muitos ficariam envergonhados. Ou vocês, machos, acham que nós mulheres não sabemos que, na hora do xixi, vocês ficam comparando o de quem é maior? E aposto que as gostosas também devem ser comentadas, como as mocréias devem ser ridicularizadas.

No banheiro vemos coisas surpreendentes. A outra neurótica que também escreve neste blog, certa vez, me contou que encontrou uma de nossas professoras da faculdade aparando os bigodes no banheiro feminino. Realmente, deixamos todos os pudores do lado de fora.

Eu mesma tenho cenas ótimas de banheiro. Aquele metro quadrado é um lugar de paz, ali é só é você e você. Certa vez, os dois metros quadrados do privativo lá de casa foram o único lugar em que encontrei para estudar em paz para uma prova de política.

E o seu banheiro? Se ele pudesse contar algo, o que ele contaria? Aquela ressaca que só ele te acudiu recebendo todos os seus vômitos. Aquela dor de barriga que só ele e você para agüentar. Aquele vez que você tentou tingir o cabelo sozinha. Aquele banho a dois... bem, não comentemos detalhes tão íntimos. É, o banheiro é nosso cúmplice. Muitas coisas que aconteceram ali, ali ficaram seladas pela palavra ocupado. Ah, se os banheiros falassem...

Mande uma história de banheiro para gente. Ok, não precisa contar aquela, mas pode contar uma que tudo bem sair pela frestinha da porta.

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