sábado, 13 de outubro de 2007

neurose.da.curiosidade

por narah_conti

Um plano super-secreto.

Foi o suficiente para despertar a minha pequena neurose contemporânea e cotidiana mais gritante: a curiosidade.

Se há algo que realmente me deixa neurótica é me deixar curiosa. Começo a roer as unhas (mania que tenho quase certeza que é genética), minha respiração fica rápida, meus neurônios começam a fazer um bilhão de conexões químicas (que me deixam muito agitada), sinto meu coração bombear mais rápido fazendo o sangue circular mais veloz que o Lewis Hamilton (chegando, provavelmente, a velocidade da luz), meus músculos tencionam... Bem, já deu para perceber que saio do meu normal. Melhor, fico mais neurótica do que o normal.

A curiosidade fez Ricardo Setti largar o magistrado para ser jornalista. A curiosidade fez com que Freud descobrisse a psicanálise, Einstein a bomba atômica. E o gato morresse escaldado.

Esse comichão que faz as pessoas mudarem de profissão, fazerem descobertas ou levrar a extremos, como a morte, é considerado por uns qualidade, por outros é defeito. Seja o que for está dentro de mim, faz parte de mim. Mas... o que leva tamanho interesse pelo saber? Saber de tudo: da fofoca do ambiente de trabalho a o que faz a rebimboca da parafuseta funcionar. Que raio é esse desejo que te instiga, te consome, e te leva a pesquisar, ler, bisbilhotar, farejar, como um detetive, um cão a traz do osso, para saciar essa vontade de saber?

[Pausa Pretérita
Quantas vezes, depois que apareceu o Castelo Ra-tim-bum, me chamaram de Zequinha, e me provocaram com a reposta vazia do "porque sim". Porque sim, porque sim. Oras, isso é lá uma resposta a se dar a uma criança?

Se não me contentava com isso quando pequena por que deveria me contentar agora que sou... não grande... continuo pequena... hmmm... adulta?! Não. Quase... Enfim... agora que sou mais velha, quase com a maioridade civil? (vixe, vinte E um anos... essa é uma outra coisa que anda me deixando neurótica)
]

Creio eu que a curiosidade nasce com o curioso, está inserida no DNA. Curiosos não se dão por vencidos, não se satisfazem com respostas vazias ou que levantam dúvidas. Curiosos vão até o limite, ou melhor, ultrapassam o limite. Não sentem medo de perguntar - mesmo que as vezes a pergunta pareça besta. Pois só curiosos sabem o que a dúvida pode fazer com eles.

A dúvida, o não saber para um curioso, é um veneno, que vai matando, consumindo... Até que o soro antiofídico da resposta seja aplicado e, enfim, um alívio.

Quando disse a Gabriela que me deixar curiosa é um pecado mortal e que poderia me levar à morte, ela sorriu e disse que alguém morrer de curiosidade seria um ótimo personagem. Mas não é brincadeira. É muito sério.

Ficar curiosa é igual a ficar ansiosa. E para comprovar ansiedade faz mal vou usar as palavras do tio Antônio:

ansiedade
Datação1789 cf. MS1Acepções substantivo feminino 1 grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia. 2 Derivação: sentido figurado. desejo veemente e impaciente. 3 Derivação: sentido figurado. falta de tranqüilidade; receio. 4 Rubrica: psicopatologia. estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso

Logo, começo a roer as unhas, meu cérebro engana o estômago que, pensando que irei comer algo, começa a produzir ácido gástrico. Assim, posso acabar tendo uma úlcera, que pode se transformar num câncer. Ou também, um pedaço da unha que cortei com os dentes pode ser sugando pela a minha respiração ofegante (lembra-se: estou curiosa), que irá parar em uma das minhas vias respiratórias e me sufocar até que eu fique roxa e cérebro sem O2. Ou ainda, recorda-se que disse que meu coração começa a bater mais rápido? Pois é, posso acabar sofrendo uma taquicardia, que pode ocasionar num infarto, ou num ataque cardíaco.

Viu? Você pode matar um curioso. Então, não o provoque com coisas que não pode contar dizendo que é um plano SUPER-SECRETO. Grrrrrr...