terça-feira, 30 de março de 2010

Lembranças de uma boa causa



O fato é um só: toda mentira tem perna curta, mas nem por isso deixou de nascer de uma atitude altruísta. E olha que, no fundo no fundo, era realmente de caráter filantrópico. Pelo menos na visão desta que vos narra. Pois bem. Sem mais delongas, eu conto. E, dessa vez, só digo a verdade.
Estava então com nove anos. Idade em que se entende, sem compreender totalmente, mas, ainda assim, depreendi muito mais do que eu mesma poderia imaginar. Talvez não o correto, mas o da ocasião.
Tudo teve início com a chegada de uma visitante à escola em que eu estudava. Alta e extremamente formal, ela era diretora de uma instituição de caridade e apareceu por lá para falar conosco sobre a importância do ato de doar. Segundo disse a tal diretora, as pessoas que se empenham por causas em prol da caridade têm grandes chances de serem mais felizes na vida. A bem da verdade, não tenho certeza se foi isso que me motivou – ou então o puro desejo consumista de possuir a “coqueluche” da época, mas é certo que eu decidi me engajar de vez num propósito de marcante benevolência. O problema é que só mais tarde percebi que benignidade a seu próprio favor se chama, na verdade, pilantragem, ou egoísmo. Principalmente quando envolve um montante razoável de notas coloridas e moedas ruidosas.
Enfim, na semana seguinte à visita da moça da doação, lá fui eu com a família para o interior. Casa de avós, festa de tia, parentada reunida. Era o melhor ambiente para colocar em prática o meu plano, talvez nem um pouco infalível, mas deveras bem arquitetado. E assim, com a cara e a coragem que Deus e a genética me deram, fui explicar para cada familiar presente que eu estava recolhendo quantias aleatórias para ajudar uma causa beneficente. A todos eu dizia que o importante não era o muito oferecido, mas sim que fosse de bom coração.
Já com o saco cheio – e aqui me refiro ao de pano que eu havia usado para juntar o bem em forma de cash –, andava saltitante e feliz da vida, fazendo planos de quanto será que faltaria para conseguir completar o valor do brinquedo que eu tanto queria, e que tinha sido o motivo de todo o meu intento, quando minha mãe me puxou pelo braço. Fomos até um quarto e então ela me questionou o que é que eu estava aprontando. Sem saber o quê, nem como responder, gaguejei. Pronto. Tinha entregado a mim mesma, e escrito minha própria sentença: contar a verdade para a família toda. Fácil não foi; nunca o é. Mas, até que no fim das contas, tudo acabou relativamente bem. Todos restituídos, bronca pública, lição aprendida e história que ficou para contar. E tudo isso sem brinquedo, nem aquele, nem qualquer outro.

Neuróticas return!



Sim, sim! É isso mesmo que você está vendo, ou lendo. Neuróticas contemporâneas ressurgem das cinzas tecnológicas, e com elas as histórias bizarras vividas no cotidiano da metrópole.
Assim como o Batman, que voltou a mostrar o rosto mascarado uma porção de vezes no cinema, we are back! Be prepared! =)
E como toda neurose pode ser também uma coincidência, esse novo post está sendo escrito no dia 30 de março de 2010, ou seja, exatos dois anos após o último post. Foi um longo tempo de descanso para os leitores. E um árduo período para as autoras, atoladas entre trabalhos de conclusão de curso, experiências amorosas controvertidas e a incessante procura pelo autoconhecimento: OMM MA NIII PEI MÉ HUMMM!
Amigos neuróticos contemporâneos, aqui vamos nós! Que Freud nos ajude.

domingo, 30 de março de 2008

a.neurose.do.homem.perfeito#2


por_narah conti

Sexta-feira, a minissérie Queridos Amigos terminou. O que me causou um grande vazio. Na verdade, o vazio veio por não ter mais um horário para me encontrar com o homem mais perfeito do Brasil: Tarcisio Filho.

Já disse, em outro post, sobre o número de semelhanças que existe entre mim e o George (sim, o Clooney), o que me torna mulher ideal para ele. Mas, devido à distância territorial, essa descoberta fica um pouco complicada. A não ser que eu vire garçonete em Las Vegas, ou ele venha gravar algum filme aqui e eu trombe com ele ao sair de uma livraria.

Porém, neuroses internacionais a parte, por que pensarmos tanto em George se aqui temos Tarcisinho?

Moreno, alto, cabelos grisalhos, o rosto quadrado, um olhar cheio de charme... ai, ai... é praticamente o Batman tupiniquim. (O Batman é o meu herói favorito, vale ressaltar) E ainda, dizem as colunas de fofoca, é um homem romântico. Ah!!! E também temos semelhanças: somos paulistanos e estudamos teatro.

Tudo estaria perfeito se não fosse um único defeito - dele, claro: Tarcisio é casado e apaixonado pela esposa! Grrrr...

A saga pela procura do homem perfeito continua. Enquanto isso, eu aguardo a próxima novela em que o galã tiver um papelzinho, ou recorro às cenas no youtube em que Rui, personagem de Tarcisinho, aparece.

sábado, 1 de março de 2008

a.neurose.da.idade#2


por_narah.conti


Soprar as velinhas, completar mais uma primavera... esses eufemismos são todos para amenizar a maior neurose feminina: a idade!

Na última quinta-feira, a querida neurótica, Norah Cavalcanti, completou mais um aninho de vida, e junto com ele mais um monte de novas neuroses para serem publicadas. Ra-tim-bum, Norah! Mas nem todos são como ela, que adora comemorar a passagem do tempo.

Por coincidência, hoje, também é o aniversário da minha mãe, que já está na fase não-pergunte-quantos-anos-tenho. Agora, para ela, é mais importante quantos anos se aparenta ter, do que quantos anos o RG registra. Perguntar qual a idade da senhora, ou mesmo, chamar de senhora, é uma das maiores ofensas.

E para se mostrar mais nova, mesmo que sejam meses, vale tudo: tingir os cabelos para esconder os brancos, cremes renew, vestir as roupas da filha de 20 anos. Claro que a minha mãe não é uma dessas. Mas vai me dizer que você nunca viu aquela senhora, já na faixa dos quarenta, mascando chicletes, dando em cima de um rapaz de vinte anos o chamando de brotinho? E ainda tenta se auto-afirmar dizendo: “o que vale é a idade do espírito!”

Ei, espírito?! Alto lá, minha senhora! A idade da sua mente não precisa se refletir na sua aparência. E não adianta ir a balada eletrônica e tentar dançar os Bee Gees no meio da pista, as marcas na sua testa e seu vocabulário sempre vão denúnciá-la. Assuma-se, sempre vai ter alguém que vai dizer: “Nossa, mas você parece ser bem mais nova!” – E isso vai, com certeza, deixá-la muito mais feliz.

Claro, minha querídissima companheira de blog e outras aventuras não precisa, ainda, mentir quantos anos tem, nem se ofender com eles. Afinal, nem na idade do renew ela chegou. Então, querida Norah, exale todo o perfume da juventude deixando as peruas morrem de inveja. E aproveite enquanto o Ivo Pintangui não se torna o único homem com o poder fazê-la feliz.

Viva todos os anos de vida!
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Veja também: a.neurose.da.idade

sábado, 19 de janeiro de 2008

experiências.e.descobertas.neuróticas#1

Meu namorado sempre diz que eu faço tempestade em copo d'água. Aliás, não só ele, mas também minha mãe, meu pai, minha irmã, meu chefe...etc, etc, etc. Todos concordam que eu "viajo" mais do que o normal. Pensando nisso, quis descobrir se realmente sou assim tãããããoooo fantasiosa e dramática, como dizem.
Resolvi, nada mais nada menos, colocar à prova essa minha aparente condição tempestuosa de ser e fiquei um dia sem fazer qualquer comentário mais "forte", seja qual fosse o assunto.
Cheguei à conclusão que dessa experiência só consegui perceber uma coisa: NÃO TENHO A MENOR IDÉIA DE COMO FOI QUE EU CONSEGUI ESSA FAÇANHA!
Afinal, eu sou uma pessoa muito controlada, que gosta apenas de contestar determinados temas de modo a dar-lhes mais valor.
Quanta injustiça!! Oh, céus! Quem vê pensa que eu saio por aí fazendo atrocidades em meio à cidade, pichando muros e batendo nas pessoas...
Meu único probleminha é que tenho a mente um tanto hiperativa! Mas é pouquinha coisa. Ou, pelo menos, o bastante para algumas tempestades!! [por norah_cavalcanti]

a.neurose.da.brancura


por norah_cavalcanti

Festas de fim de ano, férias coletivas, praia...

Mesmo que de uma maneira um tanto improvisada, todo mundo sempre consegue dar um jeitinho de descer a serra nesse período em que pode desencanar do trabalho e dos estudos.

Apesar de não ser maria-vai-com-as-outras e nem seguir modinhas, tive de aderir à bagunça-que-todo-mundo-gosta pois também estava doidinha de vontade de chegar lá pra tomar um banho de mar e um solzinho no corpo. Há tempos que não ia à praia!

A única coisa que eu tinha esquecido, em meio à empolgação, era que meu bronze amarelo apático conseguido em uma redação iria transparecer um pouco quando colocasse um biquíni. E bota transparecer nisso! Eu praticamente parecia um ser engessado junto aos marombados e caiçaras. Malditos caiçaras melaninamente favorecidos! =P

Como não iria parar de me divertir por conta disso, resolvi deixar que o sol agisse e então - logo, logo!, estaria tão morenaça quanto os outros praianos prevenidos (e adeptos do bronzeamento artificial!).

O problema é que eu ignorei um detalhe crucial: cerca de um mês antes de ir à praia, eu tinha tomado sol de regatinha durante um show no Parque Villa Lobos. Sendo assim, qual foi a minha surpresa (ou não!) ao colocar a parte de cima do biquíni?

Estava com uma tremenda marca e meu bonito biquíni florido não tampava, é óbvio! Só para variar, eu lidei suuuuuper bem com a situação pouco tosca e ri de mim mesma, afinal de contas seria melhor rachar o bico do que chorar, né?!

Assumi sem frescura meu estilo e fui toda vaporosa para a praia com uma parte do colo brilhando devido à brancura e outra mais moreninha...eu parecia um chocolate preto-e-branco!

Como a única coisa importante na vida é não deixar de aproveitar cada segundo que ela oferece, logo esqueci o king kong e curti a valer os dias que passei na praia.

E quanto ao bronzeado?

Bom, ele ficou bacana! Posso dizer que voltei muito mais moreninha para casa, com o rosto e o corpo bem coradinhos. A única diferença é que agora meu colo também é tricolor (assim como a dona!) e ostenta três cores. E olha que é em degradê! =P

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

a.neurose.do.ursinho


por norah_cavalcanti

Desde sempre acostumei-me a dormir com um ursinho de pelúcia...
Mas não é qualquer ursinho não, é O ursinho! (salientando bem o artigo definido para provar sua importância!)

Aconchegante, macio e cheirosinho, nada melhor do que um gostoso ursinho junto da gente na hora do soninho! =]

Na verdade, se pararmos para perguntar, talvez possamos descobrir que muita gente dorme com ursinhos de pelúcia. Porém, todavia, contudo, são poucos os que admitem tal ato.

Confesso que isso chega a ser uma fraqueza, afinal - simbolicamente falando!, o ursinho meio que representa uma companhia a que buscamos e, porventura, ainda não encontramos. Ele faz o papel do amante ausente, do ouvinte consolador, do amigo imaginário!

Ahhh, se meu ursinho pudesse contar tudo o que já ouviu ou sentiu de mim. Acho até que depois desse possível relato muitas pessoas se declarariam normais...

Mas enfim, se olharmos por um outro lado, veremos que dormir com um ursinho também nos faz fortes, só que ao mesmo tempo egoístas. Ele nos ouve (silenciosamente!) e no afaga com seu corpo de algodão quentinho e receptivo, sem cobrar nada por isso. E, no fim das contas, não é que depois de recobrarmos os ânimos, nós o deixamos de lado?

Como retribuição a esse companheirismo, acabamos esquecendo-o pelos cantos quando algo mais divertido surge. Não seria o caso de avaliarmos nossos próprios princípios ursísticos? =P

Pois bem. O que acontece é que realmente não dá pra negar: fico neurótica sem meu ursinho!

Já me basta a frustração anterior de ter esquecido meu amado Léozinho no hospital quando fiz uma pequena cirurgia.

Sim! É verdade! Eu larguei o meu pobre amiguinho de anos e anos num quarto triste, mas apenas percebi isso quando cheguei em casa.

E sim também! Meu ursinho de pelúcia se chamava Léozinho! O nome foi dado em homenagem ao ator Leonardo di Caprio. E antes que alguém me pergunte: siiiiiim, tive uma "fase Titanic" em minha vida.

** Alerta de momento neurótico relacionado a um passado revelador!!

Mas continuando...

Como havia perdido o mais precioso, e original, ouvinte de minhas lamúrias, me contentei durante um tempo com o travesseiro. Pouco depois, fui agraciada com um alentador novo ursinho, a quem nomeei Léozinho II.

(Tudo bem! Confesso que permaneço ainda na fase...)

Desde então minha vida retornou ao habitual. Se é que isso é possível em se tratando de uma neurótica contemporânea que volta e meia vive devaneios pueris...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

receita.neurótica

Batatinhas.fritas.neuróticas


Para fazer batatas chips bem sequinhas, crocantes e uniformes é preciso atenção a vários detalhes, como anota o amigo Clóvis Siqueira, um grande cozinheiro, detalhista extremado e que já comandou um restaurante deixou muita saudade, o La Cave.

Estamos falando das batatas bem fininhas, do tipo chips. Segundo Clóvis, os cuidados devem começar a hora da compra, pois é necessário escolher batatas não muito grandes, durinhas, de casca lisa e sem nódoas verdes.

Elas devem ser descascadas e depois cortadas na horizontal. É melhor usar esses cortadores com lâminas reguláveis. Regule para cortar fatias bem finas.

Depois, lave várias vezes em água corrente para retirar o amido. Umas três ou quatro vezes até a água sair cristalina, não mais leitosa.

Em seguida, uma rápida cozida e um choque de temperaturas.

Para isso, mantenha ao lado do fogão um recipiente com água muito gelada, com cubos de gelo, de preferência. Coloque as batatinhas numa panela, cubra com água e leve ao fogo.

Deixe cozinhar até a água começar a ferver. Deixe um minuto nessa água fervendo. Atenção, água fervendo, mas não borbulhando. Água deve ficar no ponto de fervura e não borbulhando. Se necessário, levante um pouco a panela do fogo.

Retire do fogo, jogue a água quente fora e coloque as lâminas de batata na água gelada.

Seque a batata. Vá colocando as fatias num pano de cozinha bem limpo, sem embolar. Segundo Clóvis, é bom ir colocando juntas as fatias de tamanhos semelhantes. A espessura é única, mas há sempre fatias maiores e menores.

Coloque óleo de milho (ou outra gordura) numa panela média, de uns 25 centímetros de diâmetro. Não é preciso muito óleo (uns dois ou três centímetros).

Leve ao fogo de médio para alto. Disponha folhas de papel absorvente ao lado do fogão.

Quando a gordura estiver quente, mas antes de começar a esfumaçar, coloque umas 30 fatias de batata, tendo o cuidado de não embolar. Elas devem ficar lado a lado.

Quando começarem a pegar cor, vire uma por uma com um garfo. Quando dourar o outro lado, vá retirando com a escumadeira. Deixe a gordura escorrer de volta à panela e vá dispondo no papel absorvente.

Deixe secar, salgue e sirva.

video.neurótico#2

Há 30 anos, seriamos griladas contemporâneas.

O Fantástico de 04 de dezembro de 1977 trazia uma reportagem sobre neuroses. E fazia uma pergunta ao povo: qual é o seu grilo? Vale a pena comparar com as neuroses de hoje. Será que mudou muito?


http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM761292-7823-N-O+GRILO+DOS+BRASILEIROS,00.html

sábado, 1 de dezembro de 2007

a.neurose.do.homem.perfeito

por_narah conti


Enquanto todas as gurias que estudavam comigo se derretiam pelo Di Caprio, eu já amava o George. Ele já foi capa do meu caderno, com seu incrível traje de Batman (meu herói favorito. Tá certo que o Batman X Mr. Freeze é péssimo, mas ver o George naquela roupa de borracha... ai, ai...). Tempos atrás a Folha de SP publicou uma entrevita como o tudo-de-bom. E como temos coisas em comum. =)

Tendo um pai que foi âncora, um jornalista que nunca cedeu um milímetro em seus princípios.

Eu não tenho um pai jornalista, mas estudo jornalismo. Já é um começo. Ahhh, e meu pai também não cede um milímetro em seus princípios.

Na minha casa, não se brincava com religião.

Nem na minha!

Acho que estou num ponto de minha vida em que preciso de mais intensidade.

Eu também!

Sou solteiro, não tenho filhos.

Me too, me too!!!

Sou inspirado pela urgência e importância e não quero me proteger -isso seria o pior de tudo.

ai... ai... Será que ele sabe que eu também?

Meu rosto é como o de um ator daquela época; meu queixo proeminente e meus traços um pouco exagerados não são muito contemporâneos.

Perfeito! Sempre achei que deveria ter vivido nos anos 50, ou antes, mesmo!

Oh, George! Você é o homem perfeito para mim. Tenho certaze que formamos o casal perfeito. Você só precisa me encontrar. Marcamos onde?