terça-feira, 20 de novembro de 2007

a.neurose.da.ponte.orca

por narah_conti
A MELHOR maneira de ir de Pinheiros às mediações da Av. Paulista é a Ponte ORCA (Organização dos Condutores Autônomos). Esse serviço é uma ligação entre estação de trem e metrô. Há duas linhas: Cidade Universitária – Metrô Vila Madalena e Vila Madalena – Barra Funda, que são feitas por vans que transportam passageiros para essas estações.

Mas quando mais precisamos: ela falha.

Sai do trabalho e como não tinha aula na faculdade, pensei: CINEMA!!! Pego o trem e desço na estação Cidade Universitária, passo a catraca, atravesso a ponte, desço a escada e lá um aviso: Hoje, devido ao feriado municipal, não haverá a integração via Ponte ORCA para o Metrô Vila Madalena.

Raios!!!

Geralmente, eles avisam nas próprias estações que a Ponte ORCA está desativada. Mas, a Lei de Murphy nunca falha. Porém se os problemas desse serviço fossem só isso estava bom. A Ponte ORCA é própria encarnação da neurose do transporte coletivo.

Assim que o trem abre a porta na estação Cidade Universitária, é como o estouro da boiada. As pessoas saem desesperadas, sobem correndo as escadas pulando degraus e entram em desespero quando ficam na fila da senha. Assim que a conseguem, disparam uma corrida na ponte para ver quem chega primeiro na fila para o embarque que, geralmente, começa antes da escada. E se for 18h, relaxe! Você vai pegar a bendita fila dando a segunda volta e vai esperar, pelo menos, uma hora para chegar a sua vez de embarcar na vanzinha. Isso se a van não lotar bem na sua vez, e você acabar tendo que esperar a próxima.

Certa vez, pude observar o ápice da neurose numa pessoa. Uma mulher de corpo circular, calça agarrada, cabelo oxigenado e adapto a chapinha, me empurrou e disparou para conseguir a senha. Coitada, pegou a fila maior e eu peguei a senha antes dela (hahahahaha). Não satisfeita, ela disparou novamente na ponte, esbarrou em mim e consegui duas posições a minha frente. Ela ria de felicidade. E eu pensava: como tem gente que é feliz com pouco.

Na fila, uma moça sempre organiza quem vai subir em cada van, ou seja, se você irá na que está estacionada, ou se terá que esperar a próxima. Nesse dia, chegaram duas vans juntas, e a tal mulher seria a última da primeira que chegou. Mas como alegria de pobre dura pouco... A moça da fila contou errado, e na vez dela o carro já estava lotado e a que tinha chegado depois também. Sorri, por último e melhor, dentro do transporte enquanto olhava a tal mulher bufar de raiva por ter que esperar a próxima.

Tudo bem! Um dia a hora dela chega, a linha amarela do metrô fica pronta e ir de Pinheiros à Av. Paulista será fácil. Enquanto isso, a gente passa a peneco&co nossa de cada dia.

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