sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

a.neurose.do.ursinho


por norah_cavalcanti

Desde sempre acostumei-me a dormir com um ursinho de pelúcia...
Mas não é qualquer ursinho não, é O ursinho! (salientando bem o artigo definido para provar sua importância!)

Aconchegante, macio e cheirosinho, nada melhor do que um gostoso ursinho junto da gente na hora do soninho! =]

Na verdade, se pararmos para perguntar, talvez possamos descobrir que muita gente dorme com ursinhos de pelúcia. Porém, todavia, contudo, são poucos os que admitem tal ato.

Confesso que isso chega a ser uma fraqueza, afinal - simbolicamente falando!, o ursinho meio que representa uma companhia a que buscamos e, porventura, ainda não encontramos. Ele faz o papel do amante ausente, do ouvinte consolador, do amigo imaginário!

Ahhh, se meu ursinho pudesse contar tudo o que já ouviu ou sentiu de mim. Acho até que depois desse possível relato muitas pessoas se declarariam normais...

Mas enfim, se olharmos por um outro lado, veremos que dormir com um ursinho também nos faz fortes, só que ao mesmo tempo egoístas. Ele nos ouve (silenciosamente!) e no afaga com seu corpo de algodão quentinho e receptivo, sem cobrar nada por isso. E, no fim das contas, não é que depois de recobrarmos os ânimos, nós o deixamos de lado?

Como retribuição a esse companheirismo, acabamos esquecendo-o pelos cantos quando algo mais divertido surge. Não seria o caso de avaliarmos nossos próprios princípios ursísticos? =P

Pois bem. O que acontece é que realmente não dá pra negar: fico neurótica sem meu ursinho!

Já me basta a frustração anterior de ter esquecido meu amado Léozinho no hospital quando fiz uma pequena cirurgia.

Sim! É verdade! Eu larguei o meu pobre amiguinho de anos e anos num quarto triste, mas apenas percebi isso quando cheguei em casa.

E sim também! Meu ursinho de pelúcia se chamava Léozinho! O nome foi dado em homenagem ao ator Leonardo di Caprio. E antes que alguém me pergunte: siiiiiim, tive uma "fase Titanic" em minha vida.

** Alerta de momento neurótico relacionado a um passado revelador!!

Mas continuando...

Como havia perdido o mais precioso, e original, ouvinte de minhas lamúrias, me contentei durante um tempo com o travesseiro. Pouco depois, fui agraciada com um alentador novo ursinho, a quem nomeei Léozinho II.

(Tudo bem! Confesso que permaneço ainda na fase...)

Desde então minha vida retornou ao habitual. Se é que isso é possível em se tratando de uma neurótica contemporânea que volta e meia vive devaneios pueris...

Nenhum comentário: