A Espera
Parece até pirraça, mas sempre que você está esperando um ônibus ele nunca passa. Chegam a passar mais de cinco que você costuma pegar, só por que hoje não o quer. Não adianta, o destino desejado demora, demora...
Há uma teoria: se um fumante está esperando um ônibus, é só ele acender um cigarro para aliviar a espera que... PIMBA! O ônibus vem.
Posto isso, toda vez que eu - neurótica e contemporânea - estou aguardando um coletivo, torço para que, pelo menos, um fumante ansioso pelo mesmo destino que eu esteja no ponto e, lógico, acenda um cigarro.
Dois corpos OCUPAM o mesmo lugar
Depois de muito esperar, ele finalmente passa. Mas... quem diz que dá para entrar?
Parece até pirraça, mas sempre que você está esperando um ônibus ele nunca passa. Chegam a passar mais de cinco que você costuma pegar, só por que hoje não o quer. Não adianta, o destino desejado demora, demora...
Há uma teoria: se um fumante está esperando um ônibus, é só ele acender um cigarro para aliviar a espera que... PIMBA! O ônibus vem.
Posto isso, toda vez que eu - neurótica e contemporânea - estou aguardando um coletivo, torço para que, pelo menos, um fumante ansioso pelo mesmo destino que eu esteja no ponto e, lógico, acenda um cigarro.
Dois corpos OCUPAM o mesmo lugar
Depois de muito esperar, ele finalmente passa. Mas... quem diz que dá para entrar?
Exemplificando agora com outro coletivo, o trem.
Quando as portas se abrem é como o estouro de uma manada: as pessoas se empurram e conseguido entrar se apertam, pois quem ainda não embarcou defende a infeliz idéia: “sempre cabe mais um” – esses só se esquecem de que trem não é coração de mãe, e desafiam a lei da física fazendo dois corpos ocupar o mesmo lugar.
No meio desse empurra-empurra, apenas uma neurose se justifica: a vontade de sentar e completar o sono com os cochilos, que se alternam com os sustos de ter passado a estação.
Bem, se você foi premiado e conseguiu sentar não pense que a neurose acabou. Pode sempre aparecer aquele senhor da terceira idade, que poderia estar em casa dormindo aquelas horinhas a mais que você almeja tanto, fazendo-o levantar e ceder o lugar por causa da maldita cidadania que sua consciência não permite ignorar. Se fosse só os idosos talvez a probabilidade de cometer esse ato cidadão fosse menor, mas ainda há: gestantes, mães com criança no colo, deficientes e acidentados. Todos que decidiram justamente tomar o mesmo coletivo que você e no mesmo horário.
Até a lata de sardinha tem mais espaço
Como o privilégio de se sentar é para poucos, o restante se amontoa e se segura como pode. É até uma bênção conseguir pôr os dois pés no chão sem que um não sirva de solo para o de outrem, ou seja, sem que você precise exclamar: “O debaixo é meu!”.
O aperto também é a situação favorita daqueles que só vêem mulher de perto em momentos como esse. Os olhinhos destes pobres homens sem qualquer atributo de beleza chegam a brilhar, causando total desconforto para o sexo feminino. Mas o sexo masculino também sofre, porque... enfim... há quem, na falta de um XX, não resiste a um XY.
Tá, ok! Nós mulheres também nos aproveitamos, às vezes, da situação. Mas é devido à dificuldade de resistir àquele popozinho arrebitado escondido pelo blazer dos estagiários que teimam em usar terno com all star.
Blá-blá-blá...
Se você não tem um bom fone de ouvido, prepare-se para ouvir a neurose de muitos: filhos que fugiram de casa, a filha da vizinha que está grávida, intrigas com o chefe [que está sempre errado], mulher que fugiu com o vizinho, o menino com cara de bom moço da rua de cima que foi morto – “Nossa! Era um bom filho e morreu tão jovem”, “Também, foi se meter com quem não prestava”.
Há algumas conversas silenciosas, que a curiosidade faz dar aquela espiadinha para saber o que o outro está lendo. Geralmente, é o best seller do momento, o último livro do Paulo Coelho, algum romance espírita, ou revistas de fofoca e caderno de esportes.
Não podemos nos esquecer daqueles que não conversam com o outro passageiro e nem estão lendo. Eles estão teoricamente em silêncio, mas são tão sociais que querem compartilhar com todos os sons armazenados no mp3 ou no seu celular super-moderno. E você acaba sempre ouvindo, com dizem os Titãs: “A melhor banda de todos os tempos da última semana/O melhor disco brasileiro de música americana/O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado/O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos”.
Em momentos de muita neurose, o blá-blá-blá, o barulho emitido por esses aparelhinhos de música, mais o comercial dos ambulantes podem fazer florescer o Kiko que existe dentro de você, fazendo-o soltar: “Cale-se, cale-se! Vocês me deixam LOUCO!!!”
Conclusão Neurótica Social
É um absurdo pagar a tarifa de R$ 2,30 para andar em veículos sucateados (os bancos estão soltos e há mais crateras no assoalho do que na superfície da lua), esperar por horas, e quando finalmente passa... não dá para entrar por que pessoas estão sendo expelidas pela janela!
Realmente, essa situação causa uma super-neurose e necessita de algum plano mais neurótico para ser resolvida. Mas quem vai dar o primeiro passo? Já sabemos que greves só tornam o caos mais caótico.
Quando as portas se abrem é como o estouro de uma manada: as pessoas se empurram e conseguido entrar se apertam, pois quem ainda não embarcou defende a infeliz idéia: “sempre cabe mais um” – esses só se esquecem de que trem não é coração de mãe, e desafiam a lei da física fazendo dois corpos ocupar o mesmo lugar.
No meio desse empurra-empurra, apenas uma neurose se justifica: a vontade de sentar e completar o sono com os cochilos, que se alternam com os sustos de ter passado a estação.
Bem, se você foi premiado e conseguiu sentar não pense que a neurose acabou. Pode sempre aparecer aquele senhor da terceira idade, que poderia estar em casa dormindo aquelas horinhas a mais que você almeja tanto, fazendo-o levantar e ceder o lugar por causa da maldita cidadania que sua consciência não permite ignorar. Se fosse só os idosos talvez a probabilidade de cometer esse ato cidadão fosse menor, mas ainda há: gestantes, mães com criança no colo, deficientes e acidentados. Todos que decidiram justamente tomar o mesmo coletivo que você e no mesmo horário.
Até a lata de sardinha tem mais espaço
Como o privilégio de se sentar é para poucos, o restante se amontoa e se segura como pode. É até uma bênção conseguir pôr os dois pés no chão sem que um não sirva de solo para o de outrem, ou seja, sem que você precise exclamar: “O debaixo é meu!”.
O aperto também é a situação favorita daqueles que só vêem mulher de perto em momentos como esse. Os olhinhos destes pobres homens sem qualquer atributo de beleza chegam a brilhar, causando total desconforto para o sexo feminino. Mas o sexo masculino também sofre, porque... enfim... há quem, na falta de um XX, não resiste a um XY.
Tá, ok! Nós mulheres também nos aproveitamos, às vezes, da situação. Mas é devido à dificuldade de resistir àquele popozinho arrebitado escondido pelo blazer dos estagiários que teimam em usar terno com all star.
Blá-blá-blá...
Se você não tem um bom fone de ouvido, prepare-se para ouvir a neurose de muitos: filhos que fugiram de casa, a filha da vizinha que está grávida, intrigas com o chefe [que está sempre errado], mulher que fugiu com o vizinho, o menino com cara de bom moço da rua de cima que foi morto – “Nossa! Era um bom filho e morreu tão jovem”, “Também, foi se meter com quem não prestava”.
Há algumas conversas silenciosas, que a curiosidade faz dar aquela espiadinha para saber o que o outro está lendo. Geralmente, é o best seller do momento, o último livro do Paulo Coelho, algum romance espírita, ou revistas de fofoca e caderno de esportes.
Não podemos nos esquecer daqueles que não conversam com o outro passageiro e nem estão lendo. Eles estão teoricamente em silêncio, mas são tão sociais que querem compartilhar com todos os sons armazenados no mp3 ou no seu celular super-moderno. E você acaba sempre ouvindo, com dizem os Titãs: “A melhor banda de todos os tempos da última semana/O melhor disco brasileiro de música americana/O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado/O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos”.
Em momentos de muita neurose, o blá-blá-blá, o barulho emitido por esses aparelhinhos de música, mais o comercial dos ambulantes podem fazer florescer o Kiko que existe dentro de você, fazendo-o soltar: “Cale-se, cale-se! Vocês me deixam LOUCO!!!”
Conclusão Neurótica Social
É um absurdo pagar a tarifa de R$ 2,30 para andar em veículos sucateados (os bancos estão soltos e há mais crateras no assoalho do que na superfície da lua), esperar por horas, e quando finalmente passa... não dá para entrar por que pessoas estão sendo expelidas pela janela!
Realmente, essa situação causa uma super-neurose e necessita de algum plano mais neurótico para ser resolvida. Mas quem vai dar o primeiro passo? Já sabemos que greves só tornam o caos mais caótico.
Se você, ser-neurótico-contemporâneo que acabou de ler esse post, tiver alguma idéia de como, pelo menos, aliviar essa neurose contemporânea, POR FAVOR!, não se cale e nos envie a possível solução! Os usuários do transporte coletivo agradecem.

3 comentários:
Tenho algumas soluções:
Incentivo ao uso de bicicletas - não poluem o ar e são ótimas para quadríceps anterior e posterior [patins também poderiam ser usados].
Ir a pé – caminhadas diárias são saudáveis, problemas de osteoporose e coração seriam evitados;
No fracasso das duas primeiras: ninguém mais trabalha ou estuda fora de casa. Estamos em plena era dos bit and bytes, podemos fazer tudo (ou quase) pela internet! Uhu!!
UUUHHH sim tenho algumas:
- Trabalhe de madrugada (vc sempre pega o contra fluxo);
- Trabalhe perto de casa
- A ideia da bike tb é legal
- Compre 1 carro e seja + uma pessoa a tumultuar o trânsito caótico de sp
City
Olha a única saudade dessa época era que lia em média 2 livros por mês, saudades... T_T ...podia adiantar os 3 livros do Salvatore que ainda não li...e já tem + de anos que comprei T_T...
Bjux Meninas
Como diz o Bruno: "Como é gostoso!!".... hehehe
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