quinta-feira, 7 de junho de 2007

Neurose do transporte coletivo

por narah_conti


A Espera

Parece até pirraça, mas sempre que você está esperando um ônibus ele nunca passa. Chegam a passar mais de cinco que você costuma pegar, só por que hoje não o quer. Não adianta, o destino desejado demora, demora...
Há uma teoria: se um fumante está esperando um ônibus, é só ele acender um cigarro para aliviar a espera que... PIMBA! O ônibus vem.
Posto isso, toda vez que eu - neurótica e contemporânea - estou aguardando um coletivo, torço para que, pelo menos, um fumante ansioso pelo mesmo destino que eu esteja no ponto e, lógico, acenda um cigarro.

Dois corpos OCUPAM o mesmo lugar

Depois de muito esperar, ele finalmente passa. Mas... quem diz que dá para entrar?
Exemplificando agora com outro coletivo, o trem.
Quando as portas se abrem é como o estouro de uma manada: as pessoas se empurram e conseguido entrar se apertam, pois quem ainda não embarcou defende a infeliz idéia: “sempre cabe mais um” – esses só se esquecem de que trem não é coração de mãe, e desafiam a lei da física fazendo dois corpos ocupar o mesmo lugar.
No meio desse empurra-empurra, apenas uma neurose se justifica: a vontade de sentar e completar o sono com os cochilos, que se alternam com os sustos de ter passado a estação.
Bem, se você foi premiado e conseguiu sentar não pense que a neurose acabou. Pode sempre aparecer aquele senhor da terceira idade, que poderia estar em casa dormindo aquelas horinhas a mais que você almeja tanto, fazendo-o levantar e ceder o lugar por causa da maldita cidadania que sua consciência não permite ignorar. Se fosse só os idosos talvez a probabilidade de cometer esse ato cidadão fosse menor, mas ainda há: gestantes, mães com criança no colo, deficientes e acidentados. Todos que decidiram justamente tomar o mesmo coletivo que você e no mesmo horário.

Até a lata de sardinha tem mais espaço

Como o privilégio de se sentar é para poucos, o restante se amontoa e se segura como pode. É até uma bênção conseguir pôr os dois pés no chão sem que um não sirva de solo para o de outrem, ou seja, sem que você precise exclamar: “O debaixo é meu!”.
O aperto também é a situação favorita daqueles que só vêem mulher de perto em momentos como esse. Os olhinhos destes pobres homens sem qualquer atributo de beleza chegam a brilhar, causando total desconforto para o sexo feminino. Mas o sexo masculino também sofre, porque... enfim... há quem, na falta de um XX, não resiste a um XY.
Tá, ok! Nós mulheres também nos aproveitamos, às vezes, da situação. Mas é devido à dificuldade de resistir àquele popozinho arrebitado escondido pelo blazer dos estagiários que teimam em usar terno com all star.

Blá-blá-blá...

Se você não tem um bom fone de ouvido, prepare-se para ouvir a neurose de muitos: filhos que fugiram de casa, a filha da vizinha que está grávida, intrigas com o chefe [que está sempre errado], mulher que fugiu com o vizinho, o menino com cara de bom moço da rua de cima que foi morto – “Nossa! Era um bom filho e morreu tão jovem”, “Também, foi se meter com quem não prestava”.
Há algumas conversas silenciosas, que a curiosidade faz dar aquela espiadinha para saber o que o outro está lendo. Geralmente, é o best seller do momento, o último livro do Paulo Coelho, algum romance espírita, ou revistas de fofoca e caderno de esportes.
Não podemos nos esquecer daqueles que não conversam com o outro passageiro e nem estão lendo. Eles estão teoricamente em silêncio, mas são tão sociais que querem compartilhar com todos os sons armazenados no mp3 ou no seu celular super-moderno. E você acaba sempre ouvindo, com dizem os Titãs: “A melhor banda de todos os tempos da última semana/O melhor disco brasileiro de música americana/O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado/O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos”.
Em momentos de muita neurose, o blá-blá-blá, o barulho emitido por esses aparelhinhos de música, mais o comercial dos ambulantes podem fazer florescer o Kiko que existe dentro de você, fazendo-o soltar: “Cale-se, cale-se! Vocês me deixam LOUCO!!!”

Conclusão Neurótica Social

É um absurdo pagar a tarifa de R$ 2,30 para andar em veículos sucateados (os bancos estão soltos e há mais crateras no assoalho do que na superfície da lua), esperar por horas, e quando finalmente passa... não dá para entrar por que pessoas estão sendo expelidas pela janela!
Realmente, essa situação causa uma super-neurose e necessita de algum plano mais neurótico para ser resolvida. Mas quem vai dar o primeiro passo? Já sabemos que greves só tornam o caos mais caótico.
Se você, ser-neurótico-contemporâneo que acabou de ler esse post, tiver alguma idéia de como, pelo menos, aliviar essa neurose contemporânea, POR FAVOR!, não se cale e nos envie a possível solução! Os usuários do transporte coletivo agradecem.

3 comentários:

Srta. Ana disse...

Tenho algumas soluções:
Incentivo ao uso de bicicletas - não poluem o ar e são ótimas para quadríceps anterior e posterior [patins também poderiam ser usados].
Ir a pé – caminhadas diárias são saudáveis, problemas de osteoporose e coração seriam evitados;
No fracasso das duas primeiras: ninguém mais trabalha ou estuda fora de casa. Estamos em plena era dos bit and bytes, podemos fazer tudo (ou quase) pela internet! Uhu!!

Unknown disse...

UUUHHH sim tenho algumas:
- Trabalhe de madrugada (vc sempre pega o contra fluxo);
- Trabalhe perto de casa
- A ideia da bike tb é legal
- Compre 1 carro e seja + uma pessoa a tumultuar o trânsito caótico de sp
City

Olha a única saudade dessa época era que lia em média 2 livros por mês, saudades... T_T ...podia adiantar os 3 livros do Salvatore que ainda não li...e já tem + de anos que comprei T_T...
Bjux Meninas

Izabel disse...

Como diz o Bruno: "Como é gostoso!!".... hehehe